
Não conte pra ninguém
Eu sou a velha
mais bonita de Goiás.
Namoro a lua.
Namoro as estrelas.
Me dou bem
com o rio Vermelho.
Tenho segredo
com os morros
que não é de adivinhá.
Cora Coralina - Meu Livro de Cordel

Meu primeiro chapéu... a pequena tragédia
Eu acaipirada, incapaz de escolha, fascinada envolvida e explorada.. percebido o meu acanhamento, meu todo tolhida, maravilhada me vendo em vasto espelho e luzes fortes e a madame multiplicando chapéus, dezenas aceitando exploradora, cada qual acentuando a interiorana, e ela dominadora, envolvente me sugestionando, dominando soberana na arte de vender suas mercadorias e me plantou na cabeça enorme chapéu de abas, super carregado de fitas e plumas, um passarinho empalhado verdinho de papo vermelho. Achei lindo na verdade eu estava caipira contrafeita, mas minha vaidade cresceu e eu aquiesci. Ma achei linda e faceira, [ ... ] e muito moderna. Aí foi tudo por água abaixo, meu marido veio a bom senso e protestou. Ele tratava um francês com a Madama e passou a se expressar em brasileiro.
A Madama caiu em si e trouxe afinal o que me servia: um chapéu pequeno, modesto ajustado a minha figura de interior.
Aí me vi de novo no grande espelho alcancei minha dimensão menor e concordei com a compra modesta.
Cora Coralina
De quando ela esteve no Rio de Janeiro, aos 23 anos, em 1912.
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